Poesia para a primeira infância

10/03/2016

POESIA PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA


Por Roberta Malta


A mãe fala com a criança antes mesmo de o bebê nascer. E mesmo que não seja compreendida. Porque a voz não é feita apenas de sentidos, mas de afetos. Pela linguagem vão se criando laços entre a criança e o mundo. Por isso também que a mãe canta para seu filho. Esses acalantos conversam com a criança por ritmo, musicalidade, sonoridade. As canções de ninar são a melodia que envolve a criança e que trazem conforto e segurança.


E essa propriedade rítmica e sonora da linguagem continua nos poemas e suas poesias. Ler poesia para a criança é antes de tudo um momento de afeto. O texto poético – e outros livros é histórias –  é um mediador que aproxima adulto e criança. A criança também se sente acolhida por aquela linguagem rítmica, que conversa diretamente com sua sede por inovação e beleza, traduzida pelas ousadias com a forma da língua. E quanto aos temas, poesia é terreno para liberdade. O céu pode ser o ninho dos sonhos, que adormecem com as estrelas. O coração pode ser o mar dos sentimentos, onde brincam as sereias da terra do além-mar. Poesia tem a capacidade de ir além do convencional, do cotidiano e repetitivo. Pode subverter. É terra do sonho e dos atrevimentos.


DICAS LEGAIS


Leia, então, em voz alta para a criança, abusando de ritmo, entonação pausas, prolongamentos. Abuse da voz. Leia quantas vezes for preciso. Se a criança quiser, deixe que fale sobre o que sente ou entende. E se ela quiser ajuda para compreender melhor, ajude-a a observar esses sons que se repetem. Depois encontre palavras-chave, fale uma frase de cada vez e adentre o tema.


Criem poesias juntas. Comece escolhendo um tema. O mar. O amor. O sol. Falem livremente sobre o que escolherem, com o máximo de liberdade, mesmo que o resultado fique non sense. Essa liberdade é pura brincadeira. Brincadeira com sentidos e palavras.


Uma ideia bem legal é fazer um cantinho de poesia, em alguma parede ou mural, da casa ou da escola. Podem ser poesias de que gostem muito dos livros que leem ou poesias criadas por vocês. Escreva num papel. E deixe que a criança faça a ilustração. Mesmo que não entenda o que está escrito, ela é capaz de reconhecer o texto pela ilustração que fizer. Quem sabe ela também não decore? E saia por aí declamando? E que decore com o coração. De dentro pra fora. E que declame com o sentimento. Começando, assim, a usar a linguagem a seu favor, para se tornar sujeito de sua história.


(Já já sai post com dicas de livros de poesia. Fica de olho).




[caption id="attachment_5499" align="aligncenter" width="599"]Livro: Exercícios de ser criança – de Manoel de Barros Livro: Exercícios de ser criança – de Manoel de Barros[/caption]