Criança namora? Um livro de amor sem censura.

19/04/2018

[caption id="attachment_4773" align="aligncenter" width="399"]Mais felizes do que sempre Mais felizes do que sempre[/caption]

Em um dia de sol e chuva, a gente se depara com o livro.

“Mais felizes do que sempre”. E este título já instiga o suficiente, pra querer ir em frente e avançar em suas páginas. Afinal, não é o tradicional e duvidoso “felizes para sempre”.

Analisa-se a capa um pouco mais e encontramos: texto de Helena Lima e ilustrações de Anabella Lopez.  Pronto, com essas queridas autoras, o livro nos tinha comprado pela capa.

Abrimos a obra e encontramos um casal apaixonado. Parece que são adolescentes, e estão tão apaixonados que mesmo a distância (ela mora em São Paulo e ele no Rio de Janeiro) não consegue os separar.

[caption id="attachment_4774" align="aligncenter" width="399"]Rio de Janeiro e São Paulo Rio de Janeiro e São Paulo[/caption]

Depois de se conheceram em um verão, passam a ficar horas no telefone, têm papo para toda a vida. Quando se veem, trocam abraços e beijos, dão as mãos, namoram no portão e deitam na grama para ver as estrelas.

Tudo é lindo de verdade, despretensioso e ingênuo, contado pela prosa tão poética de Helena Lima. Assim, quando menos percebemos, a gente já se deixou cativar e levar por esse amor.

Ficamos na torcida por eles. Por isso, é um pouco inacreditável descobrir que eles se separam. Sim, eles não vivem felizes para sempre. E lagrimazinhas rolam na face do leitor com esse desenrolar da história.

Mas as lágrimas que descem não são só de tristeza, não. São lágrimas comovidas de beleza.

O texto é construído de tal maneira que, mesmo sem o final juntos, tudo ainda é feliz. Eles viveram um amor sem censura, quando puderam ser mais felizes do que sempre, e isso já é tão grandioso e especial, não é mesmo?

O amor sem censura que eles vivem também nos é contado sem censura. Fala-se de amor de namorados, de abraços e de beijos, de entrega e confiança.

[caption id="attachment_4775" align="aligncenter" width="799"]A menina A menina[/caption]

Lemos esse livro há uns meses, e hoje diante da mobilização nas redes em torno do tema “Criança não namora”, perguntamos: por esse livro tratar de um casal de namorados, deve ser “censurado”, isto é, deve restringir-se a um público de idade específica?

A idade alvo deveria ser pré-adolescentes e adolescentes? E não crianças?

Gostaríamos muito de refletir isso com vocês. Fiquem à vontade para nos mandar sua opinião.

Mas a princípio pensamos que seria realmente uma pena  não ler um livro desses com uma criança, de tão bonito que ele é. Entendemos a necessidade de não estimular uma sexualidade precoce, por meio da ideia de namoro. Mas, em contrapartida, os namoros e apaixonamentos estão por toda parte, na televisão, nas histórias de princesas e príncipes….

Muito da beleza deste livro está justamente em falar sem freios do amor. E também da dor. Pois adultos e crianças que se apaixonam (ou simplesmente se encantam por outra pessoa) também sofrem alguma dor ao se arriscarem no campo dos sentimentos. A dor é inevitável, para aqueles que vivem a vida com alguma intensidade.

[caption id="attachment_4776" align="aligncenter" width="838"]O menino O menino[/caption]

É essa mesma intensidade que encontramos no texto. Uma intensidade que vem da verdade do prazer e da dor – a verdade dos momentos vividos com inteireza, pois são esses que permanecem, mesmo quando terminam.

Trata-se de um livro com uma voz poética incrível. Redondo. De silenciar por uns instantes. E trazer muitas reflexões depois. Como toda boa literatura faz.

Aos leitores do blog, trazemos esse questionamento: você se deixaria encantar por essa história junto a uma criança? Ou prefereria preservá-la do tema do namoro?